No espaço, a ideia é criar a Sala Flávio de Carvalho em homenagem ao artista e com o objetivo de mostrar sua obra

O prédio onde funcionava o Centro Cultural ‘Vicente Musselli’, na Avenida Joaquim Alves Corrêa, em Valinhos, e que atualmente é utilizado como um espaço cultural multiuso, coordenado pela Secretaria de Cultura e Turismo, recebeu como homenagem o nome de Flávio de Carvalho, um dos grandes ícones da geração modernista brasileira.

A câmara aprovou o projeto de lei de autoria do prefeito Clayton Machado no último dia 14/12, denominado ‘Espaço Cultural Flávio de Carvalho’, pela Lei Municipal 5.376.

Segundo o secretário de Cultura e Turismo, André Luís dos Reis, o espaço foi criado a partir da ida do Centro Cultural para o prédio do antigo SESI 299 e com o objetivo de oferecer outra dinâmica de utilização, como ensaios dos grupos de dança, da Corporação Musical e para realizações de exposições de artes coletivas e individuais e também o Panorama das Artes.

“Neste espaço, a ideia é criar a Sala Flávio de Carvalho em homenagem ao artista com o objetivo de mostrar sua obra e apresentar a sua casa aos visitantes, vez que não se pode visitar a mesma “in loco” hoje no bairro Capuava, aqui em Valinhos. A cidade recebe anualmente muitos estudantes de engenheira, arquitetura e estudiosos da obra do artista, mas até então não havia um local para apresentá-lo aos visitantes e aos próprios valinhenses”, destaca o secretário.

“A escolha do nome se deu em função da representação de Flávio de Carvalho no cenário internacional. E também como forma de homenagear os artistas plásticos da cidade”, completa Reis. O espaço, que se manterá fechado no período de férias dos cursos de dança e teatro aplicados no local, retomará as atividades em fevereiro.

Sobre Flávio de Carvalho – Arquiteto e artista plástico fluminense (1899-1973). É famoso por sua arte polêmica e inovadora e por seus projetos ousados, como o Palácio da Municipalidade de São Paulo (1927). Flávio de Resende Carvalho nasceu em Barra Mansa e completou os estudos na Inglaterra.

Cursou engenharia na Universidade de Durham e artes plásticas na Escola de Belas-Artes Rei Edward. De volta ao Brasil, em 1922, fixou residência em São Paulo, onde foi influenciado pelo movimento modernista. Na década de 30 liderou grupos de vanguarda e fez sua primeira exposição no 1º Salão de Maio, em São Paulo, em 1937.

Entre suas obras mais marcantes está a série Trágica (1947), composta de desenhos a carvão sobre papel em que registra a agonia de sua mãe no leito de morte. Representou o Brasil na 25ª Bienal de Veneza, em 1950, e recebeu o grande prêmio de desenho na 9ª Bienal Internacional de São Paulo (1967).

Além de atuar como artista plástico, cenógrafo e figurinista, também escreveu os livros Experiência Nº 2 (1931) e Os Ossos do Mundo (1936). No teatro, é autor da peça O Bailado do Deus Morto (1933). Veio para Valinhos em 1938, onde fixou residência na Fazenda Capuava. Sempre quando convidado, participava ativamente da vida comunitária de Valinhos.

Morreu em 1973 e seu corpo está sepultado no Cemitério São João Batista, em Valinhos. Na Fazenda Capuava, também em Valinhos, encontra-se a famosa casa projetada por Flávio, em formato de avião, uma das primeiras construções da arquitetura moderna no Brasil, marco arquitetônico da época e onde o artista viveu, tombada pelo CONDEPHAAT (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico).

FONTE: AR2 COMUNICAÇÃO E EVENTOS